Fui ver Caro Francis e não me arrependi.

Estou falando do documentário como história, independentemente de qualquer opinião à esquerda ou à direita ou de considerar ou não confiáveis as opiniões do Paulo Francis.

A edição feita das suas tiradas é impagável.

Os depoimentos são muito ricos, mas, como sempre ocorreu na carreira dele, a estrela é mesmo o Francis. Mesmo quando é acusado de plagiador e possuidor de cultura de best-seller.

Não sei se isso vale para todo mundo, mas fico impressionado em descobrir, nesses documentários, as conexões entre certas pessoas. Como eu era muito novo quando Francis estava no auge, não sei muito bem quem são/foram seus contemporâneos conhecidos. Fiquei pasmo de ver os depoimentos do Daniel Piza, por exemplo, que trabalhou com o Francis.

Quanto ao Mainardi, lamentável como sempre. Mais uma vez disposto a apontar um medíocre, desta vez o Caio Túlio Costa. Se eu fosse o diretor, teria cortado. Ficou de muito mal gosto na minha opinião.

No final, abordando a morte e a amizade do Francis, o tom segue pelo sentimentalismo (isso não é pejorativo).

Enfim, se você está disposto a gastar 90 minutos do seu tempo com um bom documentário, mas deixando suas posições de lado, recomendo.

Passada a semana de celebração dos vinte anos da queda do Muro de Berlim, também quero contar minha historinha.

É inocente e irrelevante. Eu não estava lá nem tinha idade para ter consciência do significado do acontecimento. Só acho que vale contar porque revela uma confusão muito comum em relação a este fato histórico.

Aconteceu em uma aula de tradução de literatura alemã.

Em certo ponto da aula, o professor falou sobre o ano da reunificação das Alemanhas. Numa daquelas perguntas que mais servem para verificar se os alunos estão acompanhando a aula, ele quis saber em que ano se deu a reunificação. Foi olhando para todos os rostos presentes, passando pelo meu, voltou e parou em mim. Hesitei um pouco e respondi: 1990. Decepcionado, ele meneou a cabeça e disse: “Não, 1989!”

Fiquei um pouco contrariado, mas não retruquei. Na verdade, ele tinha me deixado um pouco confuso.

Chegando em casa, pesquisei e confirmei o engano dele. O professor havia confundido dois fatos distintos.

Em 9 de novembro de 1989, aconteceu a abertura das fronteiras da Alemanha Oriental – inclusive da Berlim dividida –, que teve como consequência imediata a queda do Muro. É apenas esse fato que acaba de completar 20 anos.

Porém, mesmo com todas as fronteiras entre as Alemanhas Ocidental e Oriental abertas, a Alemanha só voltou a ser um único país quase um ano depois, em 3 de outubro de 1990, quando a Wiedervereinigung foi assinada. A partir daí, a Alemanha Oriental estava extinta e a República Federativa da Alemanha passava a ter o território e a organização política que mantém até hoje.

Esse equívoco cometido pelo professor é realmente muito comum. A maioria das pessoas pensa que a Alemanha foi reunificada no dia em que as pessoas começaram a derrubar o Muro a marretadas. Para além do seu aspecto simbólico, aquela mobilização popular foi muito importante para o processo de extinção da Alemanha Oriental e reconstituição de uma só Alemanha, mas não se pode confundi-la com a reunificação em si, que foi um outro ato.

Detalhe irônico: essa aula a que me referi aconteceu em 3 de outubro de 2007, feriado nacional na Alemanha.

O segundo turno da votação para reitor da USP já terminou. Esta é a lista tríplice que será submetida ao governador:

Glaucius Oliva (diretor do Instituto de Física de São Carlos)

João Grandino Rodas (diretor da Faculdade de Direito)

Armando Corbani Ferraz (pró-reitor de pós-graduação)

Oliva foi o mais votado, mas, dizem, será preterido por Rodas, preferido da equipe de Serra (Fonte: Migalhas).

O escolhido terá o desafio de colocar a universidade no caminho da modernização, no intuito de deixá-la mais próxima do objetivo de ser uma das melhores do mundo.

Por outro lado, o novo reitor, seja quem for, dificilmente conseguirá ser pior que a antecessora, Suely Vilela, que chamou a PM para jogar gás na cara de alunos e professores e até acusada de plágio foi ultimamente. Plágio, inclusive, assumido pela reitora, afirmando que não foi de má-fé.

Quando Barack Obama foi anunciado vencedor do Nobel da Paz, a primeira palavra que me veio foi “precipitação”.

Logo depois, pensando melhor, lembrando de Kissinger, Arafat e Rabin, achei que a atitude da Fundação Nobel não foi exatamente precipitada. Os noruegueses – responsáveis pelo prêmio da paz – já demonstraram muitas outras vezes sua lógica peculiar.

Nos casos citados, pelo menos, havia acordos em mãos. Desta vez, parecia tratar-se mesmo de uma aposta dos acadêmicos no novo presidente.

Foi quando li, na semana seguinte, uma suposição interessantíssima.

Estados parceiros dos EUA, principalmente Israel, que dependem muito do apoio militar americano, estariam receosos de que o prêmio constranja Obama em certos assuntos de política externa.

Segundo essa tese, o prêmio é muito mais um abacaxi na mão do presidente do que propriamente uma honraria.

Goste eu ou não, o prêmio Nobel – principalmente o da paz – traz consigo uma enorme responsabilidade. Como invadir países, destituir governos, bombardear o Sudão tendo a medalha dourada e o diploma personalizado no armário de casa? Da mesma forma, como continuar fomentando o arsenal israelense para massacre de palestinos, que usam pedras como armas?

Se for assim mesmo, o Nobel se tornou ator fundamental de agora em diante, mesmo que não tenha havido intenção: precipitando-se a dar o prêmio da paz a uma figura que ainda não fez nada em prol da paz – nem da guerra –, antecipou-se às possíveis ações imperialistas de Obama (apenas do presidente, pois frear o ímpeto de todo um país é algo muito mais complicado).

A tese é provocativa e faz sentido.

Porém, dias depois do anúncio do prêmio, Barack Obama assinou o envio de mais 13 mil soldados ao Afeganistão. Não pôde aproveitar sua primeira chance, depois do anúncio, de provar que o prêmio estará em boas mãos.

Se os noruegueses quiseram mesmo colocar pressão em Obama em favor da paz, ainda não tiveram sucesso.

Do Carapuceiro:

E DEUS OXIGENOU O MUNDO -SÉRIE COISA DE CINEMA

Ela pode. Ela pode tudo. A galega está podendo.

E deus oxigenou o mundo quando fez Scarlett Johansson.

A única poderosa de Hollywood pós-Marilyn que passa aos homens do mundo inteiro a sensação de que eles também podem tudo com ela.

Scarlett parece aquela loira que lava o carro da família, no final da manhã de domingo no subúrbio, qualquer Babel do mundo, com aquele shortinho vermelho que enlouquece a humanidade, a aldeia, o universo globalizado.

Scarlett tem de Monroe aquela suposta ingenuidade que deixa todo homem de quatro. A falsa ingenuidade que faz crer que as mulheres precisam muito dos homens, hahahahahahaha. Nisso que elas nos escravizam, ao nos justificar como necessários.

Mas é na fita de Sophia Coppola, que ela está mais linda.

“Encontros e desencontros”, o velho Bill Murray passex, passado, dá-me saquê que a vida é nada, play again karaokê, que a vida é menos ainda.

Em “Dália Negra”, outro filmaço, ela consegue unir dois homens, o frio e o quente, ela pode. Ela vira mocinha século XVII naquela fita dos brincos de pérola, safadeza-vintage. Com Woody Allen, no Match Point, está completa: santa, diva e puta.

No site da Fundação Nobel há uma enquete a respeito da laureada em literatura deste ano.

A pergunta é “você já leu algo de Herta Müller?”

Quando cliquei em “não”, há cinco minutos, o placar era 92 x 8% para quem não havia lido nada.

Duvido que a relação fosse diferente com um escritor como Le Clézio, premiado no ano passado.

É claro que a Academia Sueca não deve assumir compromisso algum com as vendagens mundo afora, mas escritores tão bons quanto conhecidos continuam esperando uma lembrança dos acadêmicos – se é que Amós Oz e Philip Roth, há muito cotados, dão alguma importância ao prêmio.

Com o atual comportamento da política externa de Israel, talvez não seja uma boa época para se premiar autores judeus – quem diria? – que abordam temas judaicos. Ou serão à toa as críticas às escolhas “políticas” da Academia?

Ainda acho que chegará a vez desses autores.

Não dos dois, considerando que deveria haver um intervalo considerável entre os prêmios e que os dois senhores não dispõem de tanto tempo assim para esperar.

No lixo, pelo menos em parte.

No lixo, pelo menos em parte.

Quando esta foto foi tirada, a segunda “proposição” do adesivo já estava mesmo no lixo, enquanto a outra estava no auge da efervescência.

Ontem a governadora disse que se criou “muita fofoca” em torno da CPI.

Mas, pela disposição do Ministério Público e pela falta de apoiadores dispostos ao risco, o caso dela não caminha para o mesmo destino do do companheiro de lata de lixo.

Por mais tarde que aconteça, o impeachment parece cada vez mais inevitável.

Lembro até hoje de uma pichação que vi no alto de um prédio em Carapicuiba.

Ela permaneceu lá por anos esperando ser clicada.

Passei todos os dias por ela durante muito tempo.

Hoje não hesitaria em sacar a câmera.

Por fim, ela foi apagada sem que eu a tivesse registrado.

Achei um desperdício tão grande perder aquela imagem que resolvi reproduzi-la aqui o mais fielmente possível, descontado algum detalhe que a minha memória possa ter fantasiado:

pichação

Dos Blogs do Além, por Vitor Knijnik:

QUINTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2009

Realidade 3D

Fui apresentar meu novo projeto cinematográfico ao meu produtor. Ele leu e me disse que gostou protocolarmente. Depois suspirou, fez uma pausa e falou:
– Bergman, veja bem.
Sempre que alguém diz “veja bem” eu me acomodo na cadeira.
– Os tempos são outros – disse ele.
– Não tenho como discordar – e acrescentei, para quebrar o gelo (aqui na Suécia é abundante) – e os de amanhã serão outros ainda.
Papo cabeça é comigo mesmo.
– Veja bem – insistiu.
Dessa vez pensei em dizer que eu iria procurar um oculista logo que saísse dali, mas me calei porque vi que o assunto era sério.
– Até o Woody Allen está fazendo algumas concessões para viabilizar suas produções. Em nome do financiamento, ele tem filmado fora de sua amada Nova York, vem aceitando dinheiro de prefeituras e governos locais que queiram ter suas cidades como cenário de seus filmes. Você sabe, isso ajuda a promover o turismo. E como você influenciou Woody, pensamos que agora ele poderia lhe retribuir a influência.
– Entendo. Vamos logo, onde vocês querem que eu rode meu novo longa?
– Dubai.
– DUBAI? É difícil ambientar um drama existencial em condomínio em forma de palmeira que adentra pelo mar. Ninguém tem conflito interior em Dubai.
– Bergman, são tempos difíceis para o cinema. Woody pensa até em filmar no Rio de Janeiro.
– OK, se for o único jeito.
– Na verdade, queremos lhe pedir só mais uma pequena concessão.
– Mais uma?
– Na verdade, uma que vale por três. Será necessário que você rode também uma versão em 3D. Pronto, falei.
– Explique melhor.
– Muda muito pouca coisa. Imagine a sua cena clássica de O Sétimo Selo, aquela em que o personagem joga xadrez contra a morte. Na hora da captação, bastaria fazer algumas tomadas extras que valorizam o recurso do 3D, como, por exemplo, a mão da morte movimentando um peão em direção à câmera. É só para dar uns sustinhos na plateia.
– E se eu não aceitar…
– Vai ser muito difícil financiar seu filme.
– OK, era isso?
– Uma última coisa: precisamos de sua autorização para lançar uma linha de bonecos dos personagens principais.
– Mas quem disse que meu filme é infantil?
– E quem disse que é a criança que compra esse tipo de coisa hoje em dia?
Cheguei em casa arrasado. Não quis nem discutir a relação com a Liv. Mas ela, com seu senso prático de mulher, consolou-me e ainda me aconselhou:
– Berg, as poltronas estão muito confortáveis para os seus filmes. Ninguém mais vive de mostras e cineclubes. Se for para aderir, vamos com tudo. Proponho até que você mude o titulo da película para O Oitavo Selo – a Revanche.
POSTADO POR BERGMAN ÀS 04:48

Hoje o Juca Kfouri postou um texto bonito do Roberto Vieira sobre a origem do problema de visão do Tostão.

Quando entrei nos comentários do post, o primeiro que vi foi esta coisa presunçosa e completamente deslocada:

“Antes, de vc falar de jogadores evangélicos, vc precisa primeiro ser um filho de Deus, que aliás vc não é, vc não entende que nós evangelicos somos diferentes, porque amamos Deus de verdade e de acordo com sua Palavra que é a Bíblia sagrada., não tenho nada contra vc até gosto de vc por vc ser corintiano como eu., na sua matéria vc se incomoda dos jogadores evangélicos levantar a mão para o céu, mostrar camisas com dizeres., isso é uma maneira de nós mostrarmos para Deus que reconhecemos que tudo que temos e tudo que somos provém DELE, e isso não vai mudar é algo do nosso intimo. Além de vc criticar tenta olhar as diferenças de comportamento e atitudes de jogadores evangélicos e não evangélicos e depois vc me fala! E sua briga vai ser dura porque hoje no Brasil somos 50 milhões de evangélicos. Procure uma igreja evangélica e comece a frequentar, vc vai saber e entender e aprender do que estou falando. tchau DEUS TE ABENÇÕE.”

Essas atitudes, comuns dos religiosos que conheço, derrubam qualquer possibilidade de diálogo.